Carboidratos x proteínas: qual o principal foco para jogadores de futebol?

8afb5e7b3fb5f8bc243980fe239138f46703fc79

 

O futebol se caracteriza como uma modalidade esportiva intermitente, ou seja, alterna breves momentos de esforço intenso e momentos de “repouso”, de modo cíclico. Obviamente, há uma variabilidade de tal característica em função da posição na qual o jogador atua. Porém, de modo geral, pode-se dizer que a demanda energética e, consequentemente, nutricional da modalidade futebol é determinada em função do metabolismo intermitente.

Recentemente, a literatura tem demonstrado que há grande interesse pelas adaptações induzidas pelo treinamento intermitente (ou intervalado), denominado high intensity interval training, popularmente conhecido como “HIIT”. Gillen & Giballa (2014) descreveram o treinamento intervalado como uma estratégia eficiente, em curto prazo, para otimizar a saúde cardiorrespiratória e metabólica.  Existem diversos protocolos de treinamento intervalado de alta intensidade. De modo geral, os estudos mostram que a proporção de 1:3 (sendo 1 esforço intenso e 3 “repouso”) induz a adaptações similares ao treinamento aeróbio contínuo em termos de capacidade aeróbia, capacidade oxidativa do tecido muscular esquelético, tolerância ao esforço, e remodelamento muscular para o fenótipo oxidativo, podendo até mesmo ter efeitos terapêuticos em condições específicas.

A demanda energética de indivíduos que realizam o treinamento intervalado de alta intensidade também tem sido caracterizada. Cochran et al. (2014) investigaram os efeitos de uma sessão de treinamento intervalado de alta intensidade realizado em ergômetro.  Os voluntários realizaram 4 séries de 30 segundos, em intensidade máxima, com intervalos de 4 minutos entre as séries.  Dentre os diversos resultados avaliados, os autores observaram redução de 25% no conteúdo de glicogênio muscular ao término da sessão. Ou seja, 2 minutos de esforço intenso realizados de modo intervalado podem promover redução de cerca de ¼ do conteúdo inicial de glicogênio muscular.

Por ser uma atividade esportiva de longa duração, o futebol é, de certo modo, uma modalidade com predominância aeróbia. Entretanto, o padrão atual da modalidade tem considerado como atletas diferenciados aqueles que possuem preparo físico superior, ou seja, explosão, força física etc. Dessa forma, o treinamento desses atletas envolve protocolos intervalados de alta intensidade com tarefas específicas e não específicas do esporte.  Além disso, durante um jogo, os jogadores não permanecem em esforço contínuo de intensidade moderada.  Como já citamos, uma partida de futebol é fortemente caracterizada por momentos de esforço contínuo seguidos de repouso, cuja intensidade e intervalos variam de acordo com a posição do atleta. Assim, podemos determinar a demanda energética como sendo predominantemente derivada do metabolismo de carboidratos. É de extrema importância que um jogador de futebol, nos treinamentos e nas partidas, inicie com os estoques de glicogênio muscular em níveis satisfatórios e faça reposições durante (dependendo do tempo que estiver em campo/treinando) e após o treinamento/partida. Portanto, teor e fontes adequadas de carboidratos são a base primária da alimentação de um atleta de futebol. Essa ingestão pode ser feita na forma de alimentos, suplementos e isotônicos que contém carboidratos e também promovem reidratação.

Proteínas e aminoácidos não possuem como função primária o fornecimento de energia. Portanto, não são esses nutrientes que devem ser priorizados quando se trata de desempenho esportivo. A importância do consumo de proteínas para um jogador de futebol está em seu papel no processo de recuperação e reparo da musculatura esquelética.

Como em qualquer conduta nutricional, a prescrição de nutrientes deve ser individualizada. Embora carboidratos devam ser a base da alimentação de um jogador de futebol, a quantidade a ser consumida e sua fonte devem ser determinadas, pelo profissional nutricionista, de acordo com as necessidades fisiológicas de cada atleta.

 

Referências

Gillen JB, Gibala MJ. Is high-intensity interval training a time-efficient exercise strategy to improve health and fitness? Appl Physiol Nutr Metab. 2014 Mar; 39(3): 409-12.

 

 

Cochran AJ, Percival ME, Tricarico S, Little JP, Cermak N, Gillen JB, Tarnopolsky MA, Gibala MJ. Intermittent and continuous high-intensity exercise induce similar acute but different chronic muscle training adaptations. Exp Physiol. 2014

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *