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Na busca por um peso desejável de uma forma muito rápida, as pessoas acabam utilizando métodos enlouquecedores para esta redução de peso. Um dos métodos mais questionados, diz respeito ao corte exagerado de carboidratos da dieta.

Exemplo: a pessoa corta muito o consumo de carboidratos da sua dieta e sente resultados em poucos dias no seu peso, ficando feliz. Mas qual o motivo deste método ser questionado?

Primeiramente já sabemos de uma forma bem clara, que essa redução de peso se dá principalmente por dois motivos: redução de glicogênio muscular e hepático (reservas de energia que você possui no corpo) e redução de água, que é armazenada junto com estes glicogênios. Não vou entrar nos méritos da possível perda de massa magra, este não é o nosso foco.

Nosso foco é entender: Quando eu corto muito os carboidratos da dieta, porque esta estratégia é ruim para meus treinos? Vamos lá então…

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Uma das melhores pesquisadoras na área de nutrição esportiva no mundo, a professora Louise Burke, publicou um artigo este ano com estudos de casos bem interessante. Os autores recrutaram dois atletas de futebol australiano e por 24 horas ofertaram uma quantidade bem considerada de carboidratos para os sujeitos (8g/kg de peso corporal) e pré-jogo ofertaram 2g/kg de peso corporal). Porém durante o jogo (futebol), um dos atletas (chamaremos de atleta A) ingeriu somente água durante o jogo, enquanto que o outro atleta (atleta B) ingeriu 88g de carboidrato (carboidrato em gel). (Routledge et al., 2018)

Após analisar o desempenho dos dois atletas, os autores concluíram que:
• Atleta A = Completou 115 minutos em campo, percorrendo 12,2 km total;
• Atleta B = Completou 98 minutos em campo, percorrendo 11,2 km total.
• A quantidade de glicogênio muscular diminuiu em 66% para o Atleta A e 24% para o Atleta B.

Mas Jean, o atleta A que consumiu somente água, teve um melhor desempenho. E agora? Não é uma boa estratégia cortar carboidrato então?

Calma pessoal, reparem que o consumo nas 24 horas para “recarregar” os estoques de glicogênio foram de 8g/kg para os dois atletas. Ou seja, um consumo bem considerado. O que os autores trazem como conclusão é que, se o consumo diário e pré-treino/pré-competição for adequado, não há a necessidade de consumo de carboidratos para este exercício, mas caso você consuma uma quantidade pequena de carboidratos diariamente, muito provavelmente seu rendimento irá diminuir, principalmente se a intensidade do exercício for elevada.

Assim, temos que ter em mente que uma estratégia nutricional pode ser aplicável em algumas ocasiões, mas que ela não cabe para todos os casos.

Referências bibliográficas:
ROUTLEDGE, H. E. et al. Muscle Glycogen Utilisation during an Australian Rules Football Game. Int J Sports Physiol Perform, p. 1-13, Jun 12 2018. ISSN 1555-0265.